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Simple Organic vira apenas SIMPLE e aposta em preços mais baixos após compra pela Hypera Pharma

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Uma mudança de visual e, principalmente, de estratégia de preços levou muitos consumidores a perguntar se a Simple Organic continua a mesma empresa criada em 2017. A resposta é: não exatamente.

Do laboratório catarinense às gôndolas de farmácia

Fundada em Florianópolis pela empreendedora Patrícia Lima, a marca nasceu sob o mantra da “clean beauty”: fórmulas naturais, veganas e cruelty free, além do cuidado com a cadeia sustentável de matérias-primas. Em 2021, a Hypera Pharma — gigante do setor farmacêutico que também controla marcas como Mantecorp Skincare — comprou uma participação minoritária no negócio. O controle total foi assumido no fim de 2025.

Com a transação concluída, a companhia iniciou um reposicionamento visível a partir de 2023. Séruns e hidratantes que custavam mais de R$ 100 passaram a surgir em promoções por R$ 69. Em paralelo, uma identidade visual minimalista, em preto, branco e detalhes em rosa, desembarcou nas prateleiras de grandes redes de farmácia.

O que realmente mudou?

  • Nome em destaque: nas embalagens, o “Organic” encolheu e o “SIMPLE” ganhou corpo em letras garrafais.
  • Canais de venda: além do e-commerce e das lojas próprias, a linha migrou para farmácias de todo o país.
  • Preço tabelado: boa parte do portfólio foi fixada em R$ 69, valor promovido como “alta performance acessível”.
  • Design: rótulos ganharam estética semelhante à de marcas de skincare baratas, aumentando a percepção de proximidade com o consumidor.

Impacto nos franqueados

A guinada atingiu diretamente quem havia investido em lojas físicas. Donos de franquias relatam ter perdido espaço frente às redes de farmácia, que conseguem trabalhar com volumes maiores e promoções constantes. Alguns pontos fecharam as portas nos últimos meses.

Por que a Hypera Pharma barateou o portfólio?

Segundo especialistas do varejo ouvidos pelo mercado, a farmacêutica enxergou três nichos em ascensão: beleza limpa, preço intermediário e distribuição de massa. Ao alinhar esses três vetores, a empresa pretende disputar consumidores que não se sentiam confortáveis em pagar valores de marcas premium, mas desejavam produtos veganos e sustentáveis.

Comparativo: antes e depois da compra

Aspecto Antes (2017-2022) Depois (2023-)
Público-alvo Nicho, early adopters de clean beauty Consumidor de farmácia, classe média
Preço médio de sérum 30 ml R$ 129 a R$ 159 R$ 69 (tabelado)
Canais principais Lojas próprias, e-commerce Farmácias, marketplace e lojas multimarcas
Identidade visual Tons terrosos, rótulos artesanais Preto, branco e rosa neon

Perguntas que ainda pairam

Embora a marca afirme manter o compromisso com ingredientes de origem natural e práticas sustentáveis, consumidores veteranos levantam dúvidas:

  1. As fórmulas continuam as mesmas ou sofreram ajustes para reduzir custo?
  2. Os fornecedores de insumos ainda seguem padrões orgânicos certificados?
  3. A embalagem mais simples impacta na preservação dos ativos?

A SIMPLE não divulgou detalhes técnicos sobre mudanças de composição ou sobre eventuais certificações. Até o momento, o portfólio reúne itens antigos e novos, todos dentro da nova faixa de preço.

FAQ – o que você precisa saber sobre a nova fase da SIMPLE

1. A marca deixou de ser brasileira?
Não. A empresa continua sediada no Brasil, agora sob o controle da Hypera Pharma.

2. O “Organic” vai sumir de vez?
Não há confirmação. Nas peças de marketing atuais, a palavra aparece em segundo plano, mas segue registrada como parte do nome corporativo.

3. Os produtos continuam veganos?
A comunicação oficial mantém a promessa de fórmulas veganas e cruelty free.

4. A linha antiga será descontinuada?
Alguns itens clássicos ainda são encontrados, porém novos lançamentos já chegam com o design reformulado e o preço de R$ 69.

5. Há risco de novas variações de preço?
Especialistas lembram que promoções constantes podem voltar a ocorrer, mas a empresa sinaliza desejo de manter política estável para fidelizar.

Mercado observa próximo passo

Para analistas, o movimento da SIMPLE acompanha uma tendência global: marcas de beleza natural aproximando-se do grande varejo para ganhar escala. A diferença, apontam, é a velocidade da mudança. “Foi um giro brusco, tanto de imagem quanto de bolso”, resume um consultor do setor, que prefere não ser identificado.

Enquanto isso, a comunidade de skincare aguarda testes independentes que confirmem se a performance dos cosméticos permanece inalterada. Em grupos de discussão, alguns usuários comemoram a queda de preços; outros lamentam o que consideram perda de exclusividade.

O fato é que a SIMPLE entra em 2026 com novo uniforme, nova etiqueta de preço e uma missão declarada: tornar a beleza limpa “para todos”. Se conseguirá preservar o DNA orgânico enquanto persegue o grande público, só os próximos lançamentos dirão.

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