Ranhuras que surgem de forma discreta ou repentina sobre a lâmina ungueal podem denunciar desde o simples ressecamento até doenças sistêmicas, segundo especialistas.
As unhas costumam funcionar como um espelho da saúde geral. Ao observar linhas verticais ou horizontais – popularmente conhecidas como “estrias” – muitas pessoas recorrem a esmaltes para camuflar o aspecto irregular. No entanto, quando a alteração é persistente ou acompanhada de dor, quebradiços excessivos ou mudança de cor, o sinal pode pedir avaliação dermatológica imediata. O alerta parte do médico Lucas Miranda, membro da Sociedade Brasileira de Dermatologia (SBD), que detalhou à reportagem os principais fatores por trás do problema e o passo a passo para cuidar das lâminas.
O que são, afinal, as estrias nas unhas?
De acordo com Miranda, estrias representam linhas ou sulcos que atravessam a superfície da unha. Eles podem aparecer:
- No sentido vertical: da cutícula até a ponta;
- No sentido horizontal: de uma lateral à outra.
Ambos resultam de irregularidades na queratina, proteína que forma a lâmina ungueal. Esses “defeitos” nascem na matriz – região responsável por produzir a unha – ou decorrem de agressões externas, como impactos, falta de hidratação ou uso frequente de químicos agressivos.
Vertical x horizontal: diferenças que importam
Embora causem aparência semelhante, as duas direções costumam indicar quadros distintos:
| Tipo de estria | Significado comum |
|---|---|
| Verticais | Frequentes com o avanço da idade, pois a renovação celular fica mais lenta. Em geral, não oferecem risco à saúde. |
| Horizontais | Podem sinalizar condições sistêmicas, como anemia, distúrbios da tireoide, psoríase ou doenças autoimunes. Exigem investigação. |
Principais causas listadas por dermatologistas
- Envelhecimento natural: perda de velocidade na formação de queratina;
- Deficiências nutricionais, sobretudo falta de biotina, ferro e zinco;
- Traumas repetitivos: roer unhas, bater a ponta em superfícies duras ou calçados apertados;
- Desidratação da lâmina: baixa ingestão de água, exposição contínua a detergentes, solventes ou removedores de esmalte;
- Infecções fúngicas ou bacterianas, que alteram textura e coloração;
- Doenças sistêmicas: psoríase, hipotireoidismo, artrite ou patologias autoimunes.
Riscos de ignorar o sinal
Segundo Lucas Miranda, a maior parte dos casos não traz consequências graves, mas alguns cenários merecem atenção redobrada:
- Porta de entrada para microrganismos: sulcos profundos favorecem a penetração de fungos e bactérias, elevando o risco de paroníquia (infecção ao redor da unha) e onicomicose (micose).
- Dor e limitação funcional: quando a ranhura se soma a inflamação, atividades simples como digitar ou calçar sapatos podem doer.
- Indício de doenças internas: estrias horizontais, sobretudo se surgem de forma súbita, podem vir acompanhadas de fadiga, queda de cabelo ou perda de peso, sinais de anemia ou disfunção metabólica.
Como prevenir?
O dermatologista recomenda um pacote de cuidados diários que protege não apenas a parte estética, mas a saúde das unhas:
- Hidratação constante: aplicar cremes ou óleos específicos na cutícula antes de dormir;
- Dieta equilibrada: incluir fontes de biotina (ovos, nozes), ferro (carnes magras, folhas verde-escuras) e zinco (sementes, frutos do mar);
- Uso de luvas ao manipular detergentes, solventes ou produtos de limpeza;
- Evitar traumas: abandonar o hábito de roer unhas e optar por calçados que não apertem a ponta dos dedos;
- Pausas no esmalte: deixar as unhas respirarem alguns dias por mês reduz o ressecamento;
- Higienização adequada: manter as lâminas curtas, limpas e bem secas.
Quando procurar um especialista?
Miranda orienta marcar consulta se qualquer um dos sinais abaixo estiver presente:
- Estrias horizontais que surgem de repente;
- Dor, vermelhidão ou inchaço ao redor da unha;
- Mudança de cor (amarelada, esverdeada ou escurecida) ou de espessura;
- Unhas quebrando com extrema facilidade;
- Presença de pus, mau cheiro ou suspeita de micose.
“Nessas situações, o dermatologista poderá solicitar exames de sangue, avaliar deficiências nutricionais e indicar suplementos, além de tratar possíveis infecções com antifúngicos ou antibióticos”, explica o médico.
Comparativo rápido: cuidados caseiros x tratamento médico
| Cuidados em casa | Intervenção profissional |
|---|---|
| Hidratar, melhorar alimentação, evitar traumas | Suplementação, medicação tópica/oral, exames laboratoriais |
| Proteção com luvas e escolha de esmaltes menos agressivos | Diagnóstico de doenças sistêmicas, biópsia se necessário |
| Intervalos sem esmalte para a unha “respirar” | Tratamento de micose, psoríase ou distúrbios da tireoide |
FAQ – Perguntas que mais chegam aos consultórios
Estrias verticais sempre aparecem com a idade?
Não necessariamente, mas são mais frequentes depois dos 40 anos pela redução natural da renovação celular.
Vitamina resolve o problema?
Suplementos de biotina, ferro ou zinco só devem ser usados após confirmação laboratorial de deficiência. Caso contrário, a suplementação indiscriminada pode provocar efeitos adversos.
Esmaltes de gel agravam as ranhuras?
Sim, o processo de retirada com solventes potentes pode ressecar a placa ungueal e intensificar o aspecto estriado.
Lixar a superfície da unha ajuda a nivelar?
Pode dar resultado temporário, mas afina e enfraquece a lâmina, aumentando o risco de quebra. O ideal é tratar a causa.
Homens também sofrem com estrias nas unhas?
Sim. Apesar de serem mais observadas por mulheres – que costumam olhar as mãos com mais frequência –, os fatores de risco são os mesmos para ambos os sexos.
Observar atentamente qualquer mudança na aparência das unhas é um hábito simples que funciona como termômetro da saúde. Ranhuras suaves e verticais podem fazer parte do processo natural de envelhecer, mas linhas horizontais ou acompanhadas de dor merecem investigação especializada. Cuidar da hidratação, da alimentação e evitar traumas ainda é a melhor forma de manter unhas fortes, lisas e saudáveis.
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